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Coluna de opinião

por Maria Alfacinha, em 12.12.11

 

De há uns meses para cá impus-me a mim mesma deixar de ler tantos jornais. Além de raramente ficar mais bem informada – razão pela qual os lia… - um dia dei por mim a soltar um palavrão enquanto, num gesto de incontida raiva, o dobrava uma e outra vez, para que coubesse na mala de onde transitaria directamente para o caixote de lixo mais próximo. Não seria muito grave se não fossem 8 da manhã e não me encontrasse encaixada entre dezenas de outros passageiros num dos comboios que me leva até ao emprego. Ah! E se, em vez de apenas o pensar, como estava convencida que o tinha feito, não o tivesse dito em voz suficientemente alta para que quase meia carruagem tivesse ouvido. Acreditem… nem mesmo os poucos sorrisos que se abriram conseguiram minimizar o mal-estar ou a vontade de me enfiar debaixo de algum dos bancos durante os 2 ou 3 minutos que faltavam para chegar ao meu destino. Escusado será dizer que nunca mais apanhei (ou apanharei!) aquele comboio. Vou dez minutos mais tarde e vou muito a tempo.

 

A segunda razão, embora na realidade seja a primeira, pois foi a que despoletou a cena no comboio, (e não liguem que isto já sou eu a divagar) foi o facto de estar farta, fartinha, e fartíssima de parangonas sensacionalistas, notícias repetidamente deprimentes e colunas de opinião escritas pelos 325.482 especialistas portugueses que já sabiam que íamos chegar a este ponto desde que eram pequeninos, que apontam variados e comprovadíssimos caminhos para conseguir dar a volta à crise, mil e uma maneiras para poupar água e outros bens essenciais e ainda nos informam quais as melhores aplicações financeiras onde colocar aqueles imensos euros com que vamos chegar ao fim do mês. Se acrescentarmos a tudo isto as verdadeiras injecções de dados tipo antes-e-agora que, na minha modesta opinião, só servem para nos deixar mais desalentados e os artigos sobre as vantagens da crise, desde a consciencialização da população (nem à marretada vai, mas enfim!), ao mercado de trabalho barato (são raros os profissionais que se podem dar ao luxo de pedir salários decentes, quanto mais grandes salários), às oportunidades de negócio (a proliferação de lojas que compram ouro tem mantido viva a minha esperança num futuro melhor), passando por aquilo que chamam de estímulo para mudar de vida (e o melhor é mesmo emigrar para longe da Europa ou dos Estados Unidos) e incentivo à criatividade (poderia explicar o que fazer com ela mas não me vou pronunciar), ler jornais hoje em dia é apenas aconselhável a masoquistas, profetas da desgraça, treinadores de bancada e, é claro, fanáticos de futebol ou de reality shows já que a esses, parece-me, tudo o resto lhes passa ao lado.

 

Claro que quero manter-me informada. Notícias online, um ou outro programa de televisão, a opinião de dois ou três comentadores que me parecem competentes e principalmente sensatos, são informação mais que suficiente. Jornal no Alpendre só a Dica que aparece todas as semanas na caixa de correio e que, depois de uma breve passagem de olhos pelos “bonecos”, serve para impor respeito à Lolita. Ou isso, ou para forrar o caixote de lixo.
Ora… e não é que era isso mesmo que as nossas mães já faziam?
Essas sim, verdadeiras especialistas (também) em Economia.

publicado às 16:54


5 comentários

De Katherine J. a 12.12.2011 às 17:19

blog muito bem construído! parabéns :)

De Maria Alfacinha a 13.12.2011 às 12:04

Dito por quem não gosta de jornalismo... mas tem pena :-)
Obrigada

De Katherine J. a 14.12.2011 às 22:26

Eu gosto de jornalismo, por alguma coisa é o curso em que estou :) o e-mail é simples brincadeira

De saltapocinhas a 12.12.2011 às 20:03

eu até penso que se deixassem de existir notícias por uns tempos até a crise desaparecia...
deixava de ser publicitada e ia-se embora, envergonhada com a falta de protagonismo.

De Maria Alfacinha a 13.12.2011 às 12:05

Eu ando a fazer a minha parte: não lhes ligo nenhuma!! :-)

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