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Amem-se ou morram!

por Maria Alfacinha, em 06.09.15

 

 

Há dias assim, em que só me apetece gritar.

Não, não quero gritar com ninguém, embora acredite que, por vezes, alguém o deveria fazer, para que as gentes acordem da modorra em que fecharam as suas vidas, sacudam os gestos de todos os dias, o acorda-trabalha-come-trabalha-vê-novela-dorme, o diz-que-disse da vizinha, o faz-que-fez do colega de trabalho. Porque a Vida não pode ser só isto, assusta-me que seja assim, este pensar que possa ficar presa na inevitabilidade de um futuro sempre igual, de um passado que nos amargura, no presente que nos consome. Revolta-me as entranhas os beijos de conveniência, os sorrisos estudados, as palavras decoradas em manuais de comportamento social, cultural ou politicamente correcto. Desprezo as diplomacias de catálogo, a mentirinha piedosa, a falsidade das mãos que nos batem nas costas, a pseudo-benevolência que disfarça o puro desinteresse no que quero, no que queremos, no que sonhamos. Abomino a caridade, digo, a caridadezinha. Abaixo a caridadezinha, das doações espaventosas, das reportagens fotográficas nas revistas cor-de-rosa, dos cheques chorudos com a assinatura bem legível. A Caridade é muda, é transparente, não tem nome, não tem rosto. E começa em casa, entre os nossos, os que, quer queiramos quer não, nos pertencem, por direito, por nascimento, por adopção. Tal como o Respeito, que é incompatível com o insulto, com a agressão física, verbal, psicológica. Valores que deveriam ser inatos, que deveriam fazer parte dos genes, que deveriam ser encontrado no ADN.

 

Há dias em que só me apetece gritar.

Não, ninguém me tratou mal. Não, ninguém me fez nada de que me possa queixar. Apenas me apetece gritar. Quero um grito daqueles que vêm do fundo de nós, da nossa existência, daqueles gritos que só a Alma conhece, que dizem tudo o que não sabemos dizer, que pedem tudo o que não sabemos querer. Um grito que me canse, que me esgote fisicamente, que me roube o ar que respiro, que faça tremer a Terra, que provoque Tsunamis benignos, que o Oceano cresça tão alto que me faça sentir como o mais pequeno insecto que os deuses criaram, e que depois se espraie em si mesmo sem causar qualquer dano num gesto magnânimo que só quem é grande conhece e é capaz.

 

Há dias em que só me apetece gritar.

Descer a Avenida da Liberdade numa manifestação de mim mesma, com palavras de ordem cantadas nas pétalas de flores de todas as cores, podem ser cravos, podem ser rosas, malmequeres ou até as efémeras azedas. Quero flores no meu grito, quero ganas na minha Vontade. Abaixo a Hipocrisia, abaixo a Mentira, abaixo todos os valores, todas as normas, todas as regras, todas as verdades que nos impingem, que nos querem fazer crer serem indiscutíveis, imutáveis e irreversíveis.
Amem-se ou morram! Amem-se ou morram! Amem-se ou morram!

Hoje é o Dia Meu do Grito.

publicado às 10:27


8 comentários

De (des)Esperança a 07.09.2015 às 12:56

grito contigo!

De Maria Alfacinha a 05.10.2015 às 14:23

Sei que sim :-)

De Paulo Vasco Pereira a 07.09.2015 às 16:53

Junto-me ao teu grito.

De Maria Alfacinha a 05.10.2015 às 14:23

E desces a Avenida da Liberdade ao meu lado? :-)

De Paulo Vasco Pereira a 15.09.2015 às 00:08

Como nos Alpendres também decorrem desafios...
Uma nomeação. Não, não é para o Secret Story. Está aqui:
https://sonhosdesencontrados.wordpress.com/2015/09/14/desafio-tag-irmandade-dos-bloguistas-do-mundo/

Bem-vinda.
Bjs

De Maria Alfacinha a 05.10.2015 às 14:24

Mil desculpas pelo atraso, nem sei se ainda vou a tempo, mas vou lá espreitar, prometo :-)

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