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Em modo de espera(nça)

por Maria Alfacinha, em 16.11.15

em modo de espera

 

Não me perguntes porquê, ou como.
Normalmente sei quando, muitas vezes nesse preciso momento, mais vezes ainda muito depois. É assim, ponto. Pouco racional – nada racional - eu sei, mas que queres?
Nem sequer consigo definir o que é, dar-lhe um nome, explicar, definir, apresentar razões.

Se sinto? Talvez. Talvez seja um sentir.
É uma coisa de pele, um arrepiar, um desconforto. Um buraco, um vazio, como quando escrevo e não encontro a palavra correcta e deixo o espaço em branco – ou preenchido por XXXX – sabendo que, mais tarde, a encontrarei. Porque encontro sempre. Sei que a vou encontrar, muitas vezes quase no imediato, mais vezes ainda muito depois.

Até lá, não quero pensar nisso, mas não penso noutra coisa. É uma comichão, uma moinha, um latejar que não chega a ser dor, um zumbido quase imperceptível – que mais ninguém ouve, mais ninguém sente – que não interrompe o dia, não me impede os gestos, apenas existe, está, presença discreta em tudo o que faço, suficientemente invisível para passar despercebida, demasiado obstinada para ser ignorada.

Não há nada a fazer – nada que eu possa fazer - excepto cumprir os passos que me propus para hoje, as tarefas que não podem ser ignoradas e aguardar que se pronuncie, que se revele em todo o seu esplendor devolvendo-me o que me pertence e que me faz quase tanta falta como o ar que respiro.

E amar intensamente - que não há outra forma de viver - mesmo que em modo de espera.

publicado às 12:32


2 comentários

De golimix a 25.11.2015 às 12:12

Diria, minha querida, que "amar intensamente" é viver!
Mais um belo texto!

Agora uma pergunta, porquê o modo espera?

De Maria Alfacinha a 02.12.2015 às 15:52

Porque nem tudo na vida depende de nós.
Nesses casos temos mesmo que... esperar :-)

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