Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Life's a bitch

por Maria Alfacinha, em 16.03.15

divorcios.jpg

Já não me afecta o teu desalento. 
O tempo tem destas coisas, suaviza o sentir. Ou talvez não seja o tempo, talvez sejam os gestos, as acções ou, pior ainda, a sua ausência. Mas custa-me ver-te assim. Mesmo sabendo que o grande responsável pelas tuas dores és tu mesmo. Foste tu que, com a tua inércia, permitiste que a vida se transformasse nesse caos que te desespera. A tua forma de lidar com os problemas, ignorando-os ou desvalorizando-os, deram-lhes o controlo da situação. E hoje é quase tarde demais para conseguires alterar isso.
Mas não deixa de me ser difícil ver-te assim.


Acho que ainda conseguiria fazer mais. 
Aliás, tenho a certeza que conseguiria. Já me conheces: acredito que nada é impossível, que tudo posso. Mas para isso era preciso querer e eu já não quero. Tantas vezes eu te disse que um dia isto poderia acontecer. Não ouviste, ou se o fizeste, evitaste pensar, fizeste por esquecer. Achaste, talvez, que era mais um dos meus exageros. “Tens o coração ao pé da boca! Falas sem pensar!”. E não sei se alguma vez foste tu que o disseste sem pensar, ou se houve um dia em que percebeste que estavas errado, que afinal eu ajuízo, tento entender e que o facto de dizer tudo o que penso não faz de mim uma tontinha. Expliquei muitas vezes, tentei que entendesses os meus limites, pedi-te que não matasses a vontade que ainda me animava. Mas para ti, isso era mais um problema, e tu tens uma forma muito própria de lidar com eles: falas do tempo.
E eu soube, então, que um dia desistiria.


Sei que te dói quando te digo que já não acredito.
Vejo nos teus olhos a mágoa quando percebes que não confio. Chegas a estremecer quando eu duvido, sem pejo, do que dizes. Por vezes quase me sinto cruel por ser tão franca nas palavras. Mas sofro desta incapacidade para a diplomacia. Chamo os bois pelo nome. E já perdi a vontade de suavizar a minha honestidade. Perdia-a quando desvalorizaste o facto de eu te ter tornado a minha prioridade. Quando me deixaste para depois. Quando me tomaste como certa na tua vida. Como um cais, o teu porto de abrigo – são tuas, as palavras - que não fizeste por cuidar. Hoje percebes que escapo por entre os teus dedos. Que os teus actos deixaram frechas por onde a vida me chama e que tu tentas tapar. 
E eu já não me ofereço para te ajudar. 


Sei que conseguiria fazer mais. Custa-me ver-te assim.
Mas já não quero. Cansei. E tu só agora te apercebeste disso.
Sorry! Life's a bitch...

Tags:

publicado às 18:00


4 comentários

De Mulher, Filha e Mãe a 16.03.2015 às 20:24

"Sei que te dói quando te digo que já não acredito.
Vejo nos teus olhos a mágoa quando percebes que não confio. Chegas a estremecer quando eu duvido, sem pejo, do que dizes. Por vezes quase me sinto cruel por ser tão franca nas palavras. Mas sofro desta incapacidade para a diplomacia. Chamo os bois pelo nome. E já perdi a vontade de suavizar a minha honestidade. Perdia-a quando desvalorizaste o facto de eu te ter tornado a minha prioridade."

Adorei!!
Já estive numa "pele" semelhante... e esses, já chegaram a ser os meus pensamentos também.

De Maria Alfacinha a 17.03.2015 às 10:26

Acho que todos nós, mesmo que não tenha sido connosco, já assistimos a situações destas.
Obrigada pela visita

De miilay a 18.03.2015 às 16:18

Gostei imenso do texto e desejo que não seja a tua realidade, se for irás ultrapassar essa dor ,com a tua honestidade das palavras, ninguém ficará surpreendido pois alertaste para o que estava menos bem.
Um abraço
miilay

De Maria Alfacinha a 20.03.2015 às 14:38

A escrita tem destas coisas: por vezes confunde-se com a realidade.
Mas não nos dizem todos que devemos escrever sobre o que conhecemos? :-)
Fica descansada que não estou a sofrer desta dor

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Março 2015

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031




 






O Meu Alpendre


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D