Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Benditas palavras

por Maria Alfacinha, em 02.04.12

palavras.jpg

Creio firmemente que as palavras têm uma alma própria. Escritas ou faladas são muito mais que simples conjuntos de caracteres ou sons com significado. Vivem para além de quem as escreve ou de quem as lê. Têm cor, cheiro e sabor. Possuem uma luz que só os mais abençoados conseguem descrever. Tocam-nos. Provocam-nos. Despertam-nos sentidos e convicções que nem sabíamos possuir. Riem-se de nós, mudam-nos a vontade e desentorpecem-nos o querer. Há palavras negras, rosa, laranja, de todas as cores. Há palavras com cheiro a terra molhada e sabor a algodão doce e palavras fétidas que soam a dor. Há palavras que nos embalam ou que nos repelem, que nos enojam ou que nos aquecem. Há palavras para tudo o que nos possamos lembrar. As que nos esclarecem, as que nos confundem, as que nos consolam, as que nos sacodem, as que nos afligem, as que nos fazem sonhar e até há palavras por inventar, por nascer, por criar.

 

Benditas palavras. São parte do meu corpo, alma e coração. São razão quase-quase suficiente para sorrir, para sentir. São essenciais, indispensáveis, imprescindíveis à minha sanidade mental. Sem palavras não sou Eu. Sou apenas Alguém. Perco a identidade, perco o Ser, perco a memória e a capacidade de desejar. São o meu Ar. Benditas palavras! Benditas até quando parecem malditas. Porque as palavras têm essa capacidade imensa de se transformar naquilo que quisermos entender. Fazem-me lembrar pequenos camaleões quando se adaptam aos olhos de quem as lê, às circunstâncias, ao momento, dotadas de quereres e sentires diferentes no tempo, no espaço, as palavras têm uma magia própria, um sentir, um querer. É nelas que revejo os amigos, os amores, os risos, as memórias de uma vida que nem sempre vivi. Mas é também com elas que resguardo o peito, disfarço as lágrimas e as dores e embalo os sonhos que ainda não perdi, que receio perder, os sonhos pelos quais sou capaz de morrer. E são elas, as palavras, que - tantas e tantas vezes! - me conservam a razão.

 

Ah, perca tudo o que há para perder, mas que não perca as palavras onde guardo o que sou. Na estrada da vida é a bagagem que não me pesa, é em mim vida e cor e musica e amor. E se alguém se cruzar comigo e quiser saber o que trago para dar, com toda a verdade posso responder: “São palavras, Senhor, são palavras”

publicado às 19:09


13 comentários

De poetaporkedeusker a 02.04.2012 às 19:26

Subscrevo por inteiro estas tuas benditas palavras! Por inteiro!
Abraço grande!

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 10:58

Sei que sim!
Também tu és uma mulher de palavras :-))



PS
Atrevo-me a perguntar como te sentes?

De poetaporkedeusker a 09.04.2012 às 11:20

Atreve-te... eu, hoje, nem respondo... fico no "faz de conta" porque não me apetece desfiar o rosário das lamentações :))
Beijinho, minha querida!

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 11:32

Não me atrevo, já tenho a resposta.
Mando-te um carregamento de abraços

De poetaporkedeusker a 09.04.2012 às 11:37

:) Um milhão deles para ti!

De alma a 02.04.2012 às 21:09

Benditas palavras.
Belíssima analogia com..."são rosas..."
E através das palavras podemos dizer tanto...quanto através do silêncio...
Muito bonito este Alpendre que já li muitas vezes... mas sem comentar.
Que as palavras te inspirem sempre a escrever belos textos, porque há dias em que não encontramos as palavras certas... quem sabe elas voam por momentos e nos deixam desprotegidas... mas voltam sempre, mais bonitas, mais fortes, mais inspiradoras.

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 10:59

Há dias em que não sei se gosto mais de palavras ou de silêncios porque também eles dizem tanta coisa...
Obrigada pelas visitas e pelas palavras :-))

De Closet a 02.04.2012 às 22:35

Ai as palavras, o nosso ópio, o nosso vício! Podemos declarar-lhes guerra de vez em quando, voltar-lhes as costas num amuo, mas não conseguimos sobreviver sem elas, nossas eternas cúmplices :) gostei tanto!
Beijinho grande!

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 11:00

Mais uma mulher de palavras! :-))
Como é que poderíamos viver sem elas??
'brigada pelo carinho

De aflores a 03.04.2012 às 08:45

Abençoada quem escreve estas benditas palvras.

Tudo de bom.

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 11:02

:-))
Se há gesto que me consola é ser abençoada por alguém.
Que bom, meu amigo, que bom.

De miilay a 03.04.2012 às 23:22

texto fantástico , lindo descritivo, AS PALAVRAS! Gostei imenso.
Um abraço de Boa Noite
Miilay

De Maria Alfacinha a 09.04.2012 às 11:03

As palavras, as nossas amigas.
Obrigada pelas suas :-)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Abril 2012

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930




 






O Meu Alpendre


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D