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Em contenção

por Maria Alfacinha, em 17.02.12

contenção

Há coisas que me cansam.

Repetir-me é uma delas. Repetir as mesmas conversas, repetir as mesmas palavras, procurar novas palavras, outros exemplos, outros pontos de vista, tudo na tentativa – vã, eu sei, mas há coisas que eu levo uma vida inteira para aprender e mesmo assim fico na dúvida se consegui - de explicar e tornar a explicar o que estou a tentar… explicar.

 

Uma das minhas convicções – e esta mania de ter convicções também raramente me trouxe benefícios ou, pelo menos, tranquilidade – é que se quem me ouve não entendeu o que quis dizer, a culpa é minha que não me expliquei bem. Daí a minha (dantes quase infinita) paciência em repetir tudo desde o início. Olhando para trás, fica-me a sensação que as minhas conversas eram verdadeiras apresentações, daquelas com imagens a 3D, movimento e legendas para que não restassem quaisquer dúvidas. Acho que algumas vezes foi mesmo isso que aconteceu. Tenho uma vaga ideia de, já desesperada, encher folhas com esquemas, setas para cima, setas para baixo, notas nas margens, diferentes cores, muitos pontos de exclamação e ainda mais pontos de interrogação e “dois pontos, parágrafo, travessão”, eu sei lá… esgotava a imaginação e esgotava-me a mim na frustração de não conseguir que me entendessem.

 

Hoje continuo a explicar: 3 vezes é o meu limite. À primeira até acredito que posso ter sido pouco clara, à segunda junto uns exemplos simples e à terceira faço um resumo. Se perceberam, perceberam, se não perceberam tivessem percebido. É que na grande maioria dos casos, diz-me a experiência, à terceira só não percebe quem não quer perceber e voltar a repetir-me é pior do que falar para uma porta, pois as portas, todos nós sabemos, têm a desculpa de não perceberem nada, mas também não nos respondem, ou seja, não contribuem para a dor de cabeça que quase todas as conversas repetitivas provocam, enquanto que o argumentário de quem não quer perceber é capaz de nos despertar instintos violentos que nunca imaginámos possuir, e que acabará transformado, eventualmente,  num imenso sentimento de culpa e vergonha por sermos capazes de tais baixarias. Falo por mim, claro.

Passei a poupar-me, no cansaço e no cuspo.

Veremos por quanto tempo…

publicado às 15:57


2 comentários

De aflores a 18.02.2012 às 17:45

Sempre ouvi dizer que também é uma excelente qualidade, o ser bom ouvinte;):)

Eu percebi muito bem esta tua contenção... logo à primeira ;):)

Tudo de bom.

De Maria Alfacinha a 20.02.2012 às 11:24

Excelente qualidade em vias de extinção.
Felizmente ainda há quem a pratique! :-)


PS
Não me apetecia nada repetir-me hoje... :-)

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