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O tal do alemão

por Maria Alfacinha, em 21.09.14

 

Não vos vou dizer que conviver com alguém portador da doença de Alzheimer é simples ou fácil. Não é. É doloroso, é talvez das coisas mais difíceis que alguém alguma vez terá que fazer. É uma doença estranha, que progressivamente rouba tudo o que somos enquanto gente. É terrível para quem assiste e não pode fazer nada para a travar. Resta-nos esperar e fazer o melhor que sabemos com essa espera. E no meio do caos que se gera quando a doença nos entra em casa – esta ou qualquer outra – se tivermos sorte, se conseguirmos esquecer o medo, entendemos que nada é garantido, que a vida é efémera e que cada momento que passa é uma oportunidade, um pequeno presente que vale a pena apreciar.

 

Aprendi um dia, num encontro informal para cuidadores de doentes com Alzheimer, que não há doença mental que destrua a percepção dos afectos. Isto é, seja qual for a demência o doente conseguirá quase sempre reconhecer o que gosta, de quem gosta, ou quem gosta dele, mesmo que não consiga identificar nem o sujeito, nem a causa ou nem pareça reagir a esse conhecimento. A minha primeira reacção foi de alívio considerando que os afectos são algo que entendo e com que lido muito facilmente. Conheço bem o que o toque de uma mão, um abraço sem palavras, uma simples carícia, pode fazer. E como cuidadora de uma doente de Alzheimer consolou-me sabê-lo por ser algo que poderia fazer sem qualquer dificuldade. Mas o que me deixou verdadeiramente feliz foi ouvir, da boca de uma cientista, que o Amor, por vezes, é a única forma de tocar alguém que se esqueceu de quem é.

 

O Amor é a única forma...
Façam-me um favor: não esperem pelo tal do alemão...

publicado às 10:01


2 comentários

De aflores a 22.09.2014 às 16:50

No meu periodo de férias recentemente gozado, fui visitar um familiar portador dessa doença.
Confesso que foi muito difícil, e dizer o contrário estaria a mentir, mas "ganhei coragem" (coisa feia de se dizer) e fui passar uma tarde com ele.

Não posso afirmar que me tenha reconhecido, à minha mulher e aos meu filhos, mas afirmo que foi com muito amor que estivemos aquela tarde juntos, falando de coisas mais disparatadas que outras e.... até de mim, sem saber que era eu que estava ali, à sua frente.

Foi bom o abraço, o beijo e até a última afirmação...«desculpa lá, mas ando muito esquecido»



Tudo de bom.

De Maria Alfacinha a 01.10.2014 às 18:03

Possivelmente não reconheceu e/ou, assim que sairam, esqueceu que tinha tido visitas. Mas sentiu, com certeza, o carinho e isso nunca ninguém lhe poderá roubar :-)
Obg pelo testemunho, amigo :-)

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