
Lisboa, para mim, é aqui, entre o Marquês e o Tejo, entre o Castelo e S.Pedro de Alcântara, uma cidadezinha pequena que se pode percorrer a pé ou de eléctrico, daqueles velhinhos que não tinham ar condicionado mas amplas janelas de guilhotina e um guarda-freio com quem não podíamos falar mas a quem os pais nos confiavam quando viajávamos sózinhos.
Traumas de infância com certeza que, nessa altura, "ir a Lisboa" obrigava a fatiota própria e sapatos decentes e raramente ultrapassávamos estes limites. Lisboa era a Baixa, o Chiado, assim como praia era a Costa da Caparica.
Agora que voltei a estas ruas é que percebo as saudades que tinha delas. Há diferenças, claro, muita coisa mudou, mas todos os dias descubro um cantinho que não se alterou, uma loja antiga, uma rua que parece ter parado no tempo. Dou por mim a ver a cidade com os olhos de quem a visita, apreciando pequenos pormenores como as figuras que adornam as fontes no Rossio, a fachada do teatro Nacional, os arcos da Estação, a monumentalidade do Eden ou a fachada do Condes. Ainda sinto falta dos patos nos lagos da Avenida, mas desde que voltei que ando com um sorriso estampado no rosto.