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Duas em uma

por Maria Alfacinha, em 08.06.12

Em Lisboa sinto que estou em casa e pareço uma turista.

Bipolar? Who cares?

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publicado às 17:47

Desculpa lá

por Maria Alfacinha, em 08.06.12

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Não posso dizer que não sabia que se aproximava mais um qualquer Campeonato de Futebol. Era preciso ser cega e surda ou viver numa ilha deserta para conseguir manter-me na ignorância. Ou então ser um daqueles utentes da Carris, da CP ou do Metro entrevistados nos dias de greve - os que nunca sabem de nada – mas isso é outra história.

 

De há algum tempo para cá - demasiado quanto a mim - são raras as vezes em que a bendita Selecção não tem honras de abertura nos serviços noticiosos televisivos ou nas capas dos jornais. Nunca entendi, e acho que nunca vou entender, esta obsessão pelo futebol. Nunca vou perceber como é que há tanto para dizer sobre vinte e dois tipos a dar pontapés numa bola, a julgar pelos três (quatro?) jornais desportivos diários e os não sei quantos programas de televisão e rádio dedicados ao assunto. Não entendo, mas em abono da verdade não tenho nada a ver com isso e desde que não me incomodem é assunto que me passa completamente ao lado. Dizem os sociólogos que o ser humano tem necessidade de heróis e de sentir que pertence a uma tribo. Cada um escolhe os heróis que quer e pertence às tribos que bem entender. Eu viro a página do jornal, mudo o canal de televisão ou desvio o olhar e concentro-me noutra coisa. Mas é muito difícil fazê-lo quando se trata da Selecção.

 

Sei que desde 2004 já houve outros Campeonatos Europeus e Mundiais, mas o único que me ficou na memória foi esse Euro de há oito anos atrás. Nessa altura, quando se construíram não sei quantos estádios de futebol, foram produzidas belíssimas campanhas publicitárias e se gastou o que tinha e o que não tinha, nem me atrevia a questionar o porquê de tanto esbanjamento. É um investimento, diziam-me, isto vai trazer muito dinheiro para Portugal. Traz prestígio, diziam outros, vamos andar nas bocas do Mundo. Devo dizer que gostei das bandeiras. Gostei das ruas coloridas, do ambiente de festa não fosse Junho mês de festas populares. Não aderi, não sou crente como já perceberam, mas gostei de ver. Espantei-me com a quantidade de pessoas que, pelo menos aparentemente, sabia a letra do Hino Nacional. Não me espantei com a escolha da Nely Furtado nem com o seu português irreconhecível. Foi escolhida por ser famosa, com antepassados portugueses - duas condições que quando juntas nunca nos cansamos de apregoar neste cantinho à beira-mar especado - e não pela pronúncia. E aprendi o "Menos ais" apenas pela letra que serve que nem uma luva a tanta e tanta gente que conheço. Depois… depois as bandeiras morreram de abandono espalhando por todo o lado um rasto de desolação. Os estádios encheram-se de moscas, as autarquias de dívidas e quando no estrangeiro dizia que era Portuguesa e me respondiam com entusiasmo “Mourinho! Ronaldo!” ficava à beira das lágrimas - comovida, como devem calcular - pelo prestígio de que os Portugueses gozavam para lá das suas fronteiras. Juntem a isto um Fado e a Senhora de Fátima e temos uma receita antiga.

 

O patriotismo folclórico que toma conta dos Portugueses nestas ocasiões leva-me sempre a pensar que afinal a crise não existe, as notícias da miséria que nos rodeia é propaganda da esquerda radical, só não trabalha quem não quer e que a fome é apanágio de modelos e socialities. É para isto que Portugal se une? Para pintar a cara e gritar "Somos os maiores", quando um talentoso jogador marca um golo? Para, como diz a publicidade mais recente, mudar a ideia que o Mundo tem de nós? Para que não continuem a pensar que somos fracos e preguiçosos? Não faço a minima ideia quem é que ganhou os outros campeonatos mas em 2004 foi a Grécia...

 

Não, não torço - nem deixo de torcer - pela Selecção.

Disse-o em 2004 e repito-o hoje com a mesma convicção:

Desculpa lá Portugal, mas não me quero orgulhar de ti porque jogas bem futebol.

publicado às 13:42


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