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“Mas o tempo nunca mais passa? Que desespero! Deixa-me encostar o relógio ao ouvido. Não faz tic-tac? Malditas modernices! Nos relógios antigos ficávamos logo a saber se estava a funcionar e em caso de dúvida podíamos dar corda… Agora temos que esperar que o ponteiro se mexa. E o mostrador é tão pequeno que não se percebe o movimento.” [TRIM-TRIM] ”Só me faltava este. Se me levanto para atender o telefone tenho que desviar o olhar.” [TRIM-TRIM] “Paciência… tenho mesmo que atender” [TRIM-T...]“Claro! Agora que me levantei é que resolvem desligar. Deixa-me ver: será que o ponteiro de se mexeu? Que raio! Parece estar na mesma. Agora não vou desviar o olhar, não importa o que aconteça. Não é possível que ainda seja tão cedo. O relógio parou com certeza. Ainda não passou um minuto? Os minutos não continuam a ter 60 segundos? Às vezes dava jeito que tivessem mais. Não é o caso, concentra-te. Quanto tempo demoram 60 segundos? Um minuto! Estou brilhante hoje, não há dúvida. Deve ser por isso que já me ardem os olhos. É do meu brilhantismo. Bom… era pior se ardessem mesmo, se pegassem fogo, por combustão espontânea por exemplo. Aí vinham os bombeiros e que se lixasse o relógio, e o tempo, e tudo o resto. Chiça! Mas onde é que eu já vou? Com tanta divagação não me consigo concentrar! Espera… parece que mexeu. Será? Ou sou eu que quero tanto que o tempo passe que já imagino coisas? Não. Mexeu mesmo. Passou um minuto. Pelo menos um minuto. Se calhar passaram mais. Já não importa. O relógio está a funcionar era o que eu queria saber. Não… o importante era saber quanto tempo é que me faltava para sair. Ai! Que tédio! Um dia destes fujo. Está decidido: vendo o ouro e fujo com o pirata!”
(para a Raquel Sofia)