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Tenho passado os dias a escrevinhar. Gosto desta palavra: escrevinhar...
Escrevinho constante e incansavelmente, até os temas se confundirem, espalhando-se pelas ruas, esbarrando em becos de muros branco-brilhante do sol de um Verão que teima em não se desvendar, cabeceando tontos, perdido o tino e a consciência, amontoando-se uns sobre os outros numa amálgama de ideias que não me dou ao trabalho de destrinçar.
Passo os dias a escrevinhar - gosto, juro que gosto desta palavra – sem tocar numa caneta ou num papel, enquanto namoro a paisagem e deixo o pensamento solto, pairando por cima dos prédios, espreitando o rio e provocando as gaivotas. Escrevinho mentalmente para matar saudades da imaginação e exercitar os dedos, tornando-os capazes de compor histórias sinfónicas e encher de música uma realidade que vive nos sonhos, personagens fantásticas, ora heróis destemidos vencendo dragões de tristeza, ora almas apaixonadas sedentas de insónias, capazes de descobrir a doce pele dos sentidos nas palavras que apenas se murmuram, para que não percam o brilho que as torna eternas.
E depois de dias inteiros a escrevinhar - valham-me as musas, como eu gosto desta palavra... – volto para casa com a alma cheia de palavras novas por desenhar e o coração em ânsias de as usar. E este desejo por cumprir, esta magia que me nasce em sorrisos, deve ser a razão de existir desta forma de estar - não é um verbo, não pode ser apenas um verbo - que se chama… escrevinhar.