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Eu acredito

por Maria Alfacinha, em 09.12.15

eu acredito

Ao longo do ano celebramos várias datas.

Feriados religiosos, momentos históricos, os aniversários de quem queremos bem. Não encontro nenhuma data mais polémica que o Natal e francamente não entendo porquê. É certo que é uma época associada ao consumismo mas... e as outras?
As montras das lojas enfeitam-se quase todos os meses do ano. Porquê esta "raivinha" contra o Natal? Creio firmemente que "Natal é quando um Homem quiser", assim como todos os dias são Dia da Mãe ou Dia da Liberdade, ou dia seja lá do que for. Todos os dias são dias de mim, e embora eu só celebre o meu aniversário uma vez por ano, isso não me impede de o celebrar com alegria.

No Natal eu celebro o Amor, a minha crença maior, a única que eu creio ser capaz de vencer todas as adversidades. O Amor não só pelos que vivem no meu coração, pelos que me rodeiam mas também pelos que não sabem o que é ser amado.
Sei que no preciso momento em que enfeito a minha árvore de Natal, há gente que nem sabe o que é um lar. Sei que quando me enfarinho nos doces tradicionais há quem morra de fome. Sei que enquanto encho a minha casa de canções de Natal há quem pouco mais escute que o som das armas, do choro e da dor. Mas sei que há fome, doença, guerra e dor todos os dias do ano.
No Natal apenas celebro o meu acreditar...

Acredito na importância dos pequenos gestos de todos os dias.
Acredito no poder de um abraço, na força imensa de uma mão entendida, na riqueza de um beijo, no calor de uma palavra, nos valores que devemos acarinhar e transmitir às gerações vindouras, que as tornem mais solidárias, mais conscientes que o pouco que podem fazer significa muito para quem nada tem. Acredito que, todos juntos, podemos mudar o mundo, e que podemos começar pelos que nos estão perto, não só a família e os amigos mas também os vizinhos, o Sr. José do café ou a D. Mafalda da mercearia.

Há quem, quando me ouve, argumente quase violentamente apresentando razões mais do que válidas para não acreditar; há quem sorria e encolha os ombros pacientemente. Mas não há nada nem ninguém, que me roube esta crença.
Uma crença que tem um símbolo.
O nome pouco importa, chamem-lhe o que quiserem.
Eu gosto de lhe chamar Pai Natal.

(Dezembro 2004)

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publicado às 10:30


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