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Nos últimos anos perdi uma mãe, um tio, uma tia (tão, mas tão especiais...), estabilidade financeira, qualidade de vida, perdi empregos, paz de espírito, auto-estima e até perdi saúde. Perdi peso o que, em determinadas circunstâncias, pode ser uma coisa boa, mas perdi-o pelas piores razões, da pior forma e nem de longe o que entretanto tinha ganho. Deixei algures, num dos tortuosos caminhos que percorri, alguns sonhos e muitas vontades. Perdi - ou arrumei-as onde não devia - as ganas de lutar, de pegar o destino pelos cornos e moldá-lo à minha maneira. Perdi desejos. Perdi a esperança. Perdi a paciência, ainda antes de perder o respeito pela minha própria vida. Perdi-me de mim. Não perdi amores porque – sei-o agora – não os tive. Não perdi amigos, pois os amigos não se perdem. E não perdi a vida porque talvez algures no meu passado perverso e infeliz, tenha havido um momento de Verdade(*).
Não responsabilizo ninguém pelas minhas perdas ou mágoas, nem mesmo esse Ser dito superior que me tentaram impingir como Verdade única, como se fosse eu a errada por não me conformar com a degradação e o sofrimento, a ignorante por não acreditar que somos Nada, que apenas passamos por aqui, sem outro propósito que não seja almejar algo que ninguém sabe definir. Não! Não quero uma Vida que nem sequer sei se existe. Também não vou esperar que me ofereçam o Futuro ou escudar-me no Passado. Se me roubaram foi porque não estava atenta, se me magoaram foi porque não me defendi e se perdi tanta coisa foi por manifesta falta de jeito. Não responsabilizo ninguém nem peço desculpa de ser como sou. Sou assim. De sorriso fácil e mau-feitio quanto baste. E gosto de ser assim.
Chegou ao fim mais um capítulo da minha história.
Não faço a mínima ideia o que vou escrever no próximo.
Mas sou eu que o vou escrever e começa com um sorriso.
Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
E que me caia um raio em cima se vou perder mais alguma coisa.
(*) excerto de ”Something Good”, deR.Rodgers & O.Hammerstein II (tradução livre)